
Comer não serve apenas para fornecer nutrientes ao organismo. As refeições fazem parte da rotina, do convívio e do prazer de saborear diferentes alimentos. No entanto, quando existem dores, dentes em falta ou dificuldades de mastigação, aquilo que deveria ser um momento agradável pode tornar-se desconfortável.
A relação entre saúde oral e alimentação é, por isso, muito próxima. Dentes, gengivas, língua e restantes estruturas da boca participam nas primeiras etapas do processo alimentar e permitem cortar, triturar e preparar os alimentos para serem engolidos.
A propósito do Dia Mundial da Alimentação, explicamos porque manter uma boa função mastigatória é importante e como os problemas de saúde oral podem acabar por influenciar as escolhas alimentares e a qualidade de vida.
A mastigação é uma das primeiras etapas do processo de alimentação.
Ao mastigarmos, os alimentos são fragmentados em pedaços mais pequenos e misturados com a saliva, preparando-os para a deglutição e para as etapas seguintes da digestão.
Para que este processo seja confortável e eficaz, é importante existir uma boa função dos dentes e restantes estruturas envolvidas.
Quando existe dor ou dificuldade em mastigar, é natural que a pessoa altere a forma como come e, por vezes, até os alimentos que escolhe.
A condição da boca pode influenciar a capacidade de consumir determinados alimentos.
Uma pessoa que sente dor ao mastigar, por exemplo, pode começar a evitar alimentos mais firmes. Da mesma forma, a ausência de vários dentes pode dificultar a trituração de determinados alimentos, dependendo da localização das perdas dentárias e da condição dos restantes dentes.
Isto pode levar à preferência por alimentos mais moles e fáceis de mastigar.
O problema surge quando essas limitações condicionam significativamente a variedade da alimentação.
Cada dente desempenha uma função no processo mastigatório.
Os dentes anteriores ajudam a cortar os alimentos, enquanto pré-molares e molares desempenham um papel particularmente importante na sua trituração.
Quando existe a perda de um ou mais dentes, sobretudo nas zonas posteriores, a eficiência mastigatória pode ficar comprometida.
A pessoa pode começar a mastigar predominantemente de um dos lados ou evitar determinados alimentos por sentir que são demasiado difíceis de triturar.
Por isso, um dente perdido não deve ser encarado apenas como uma questão estética.
Uma dor ao mastigar pode levar rapidamente à adaptação dos hábitos alimentares.
Alimentos mais duros, crocantes, muito frios ou quentes podem começar a ser evitados, dependendo da origem da sensibilidade ou do desconforto.
Contudo, mudar temporariamente a alimentação não resolve a causa.
A dor pode estar relacionada com diferentes problemas, como cárie, inflamação, fraturas dentárias, problemas gengivais ou outras condições que necessitam de avaliação.
Quando o desconforto persiste, o mais importante é identificar a sua origem.
A saúde das gengivas é igualmente importante para uma boa função oral.
Gengivas inflamadas podem apresentar:
Quando existe doença periodontal mais avançada, os tecidos que suportam os dentes podem ser afetados e pode surgir mobilidade dentária.
Nestas situações, mastigar determinados alimentos poderá tornar-se mais difícil ou desconfortável.
Por isso, preservar dentes funcionais durante mais tempo implica também cuidar das gengivas.
Quando existe um dente doloroso ou uma zona onde faltam dentes, é frequente começar a utilizar predominantemente o lado oposto da boca.
Pode parecer uma solução simples, mas não deve substituir a avaliação da causa.
Mastigar apenas de um lado durante longos períodos significa que a função mastigatória não está a ser realizada da forma habitual e pode ser um sinal de que existe um problema oral que precisa de atenção.
Se percebe que evita sistematicamente uma determinada zona da boca, é importante descobrir porquê.
Uma alimentação equilibrada beneficia da variedade de alimentos.
Fruta e vegetais, determinados tipos de carne, frutos secos ou outros alimentos de textura mais firme podem tornar-se difíceis de consumir quando a capacidade mastigatória está comprometida.
Nestas circunstâncias, algumas pessoas começam a escolher quase exclusivamente alimentos mais macios.
Isso não significa que os alimentos moles sejam necessariamente pouco saudáveis. O importante é que a dificuldade de mastigação não esteja a limitar involuntariamente a diversidade da alimentação.
Preservar a função oral ajuda a manter maior liberdade na escolha dos alimentos.
As próteses dentárias permitem reabilitar situações de ausência dentária, mas o conforto e a capacidade mastigatória dependem de diferentes fatores.
Nas próteses removíveis, por exemplo, alterações nos tecidos da boca ao longo do tempo podem fazer com que uma prótese que anteriormente estava ajustada comece a apresentar menor estabilidade ou conforto.
Entre os sinais que justificam uma avaliação encontram-se:
Nestes casos, é importante avaliar a situação em vez de simplesmente adaptar continuamente os alimentos à dificuldade existente.
Os implantes dentários são uma das soluções que podem ser consideradas na reabilitação de dentes perdidos.
Podem servir de suporte a diferentes tipos de reabilitação, desde a substituição de um único dente até soluções para ausências dentárias mais extensas.
Quando clinicamente indicados e devidamente planeados, podem contribuir para recuperar a função e melhorar a estabilidade de determinadas reabilitações.
No entanto, não são automaticamente a solução adequada para todas as pessoas.
Antes de realizar um tratamento de implantologia é necessário avaliar fatores como:
A solução deve ser sempre definida após uma avaliação clínica.
Não.
Recuperar um dente perdido pode melhorar a aparência do sorriso, mas a reabilitação oral também procura recuperar a função.
A perda dentária pode influenciar a mastigação e, dependendo da situação, favorecer alterações na posição dos dentes próximos e na forma como as forças mastigatórias são distribuídas.
Por esse motivo, quando existe perda dentária, é aconselhável avaliar as diferentes possibilidades de tratamento.
O objetivo não deve ser apenas “preencher o espaço”, mas procurar uma solução que tenha em consideração a saúde oral no seu conjunto.
A relação funciona nos dois sentidos.
Tal como uma boca saudável facilita uma alimentação variada, aquilo que comemos também influencia a saúde dos dentes e gengivas.
Por exemplo, a frequência elevada de consumo de alimentos e bebidas açucaradas pode aumentar o risco de cárie dentária, sobretudo quando associada a uma higiene oral inadequada.
Uma alimentação equilibrada, acompanhada por bons hábitos de higiene, faz parte dos cuidados necessários para manter a saúde oral.
Além disso, a água deve ser privilegiada como bebida habitual, particularmente em comparação com bebidas açucaradas ou ácidas consumidas frequentemente.
A saliva não serve apenas para humedecer a boca.
Participa na formação do bolo alimentar, facilita a deglutição e contribui para o equilíbrio do ambiente oral.
Pessoas com uma redução significativa da produção de saliva podem sentir maior dificuldade em mastigar e engolir determinados alimentos, além de maior desconforto oral.
A sensação persistente de boca seca pode ter diferentes causas, incluindo determinados medicamentos ou condições de saúde, pelo que merece ser avaliada quando frequente.
Uma refeição é também uma experiência sensorial e social.
Dor ao mastigar, dentes ausentes ou uma prótese desconfortável podem fazer com que a pessoa coma mais devagar, evite determinados alimentos ou até se sinta menos confortável a comer acompanhada.
Consequentemente, recuperar uma boa função oral não tem impacto apenas sobre a mastigação.
Pode também contribuir para o conforto, confiança e qualidade de vida durante momentos que fazem parte do quotidiano.
Os problemas dentários nem sempre surgem de um dia para o outro.
Uma pequena sensibilidade pode aumentar, uma gengiva que sangra frequentemente pode continuar inflamada e um dente comprometido pode deteriorar-se progressivamente.
Quanto mais cedo a causa for identificada, mais cedo podem ser avaliadas as possibilidades de tratamento.
Entre os sinais aos quais deve estar atento encontram-se:
Estes sinais não devem ser considerados uma consequência inevitável da idade.
Manter uma boa capacidade mastigatória começa pela prevenção.
Escovar os dentes corretamente, realizar a higiene entre os dentes e manter acompanhamento regular permite identificar problemas antes de estes se tornarem mais complexos.
Também é importante não adiar tratamentos necessários apenas porque a dor desapareceu temporariamente.
A ausência de sintomas não significa necessariamente que todos os problemas estejam resolvidos.
Preservar os dentes naturais sempre que possível continua a ser uma das principais formas de manter uma boa função oral ao longo da vida.
No Sr. Implante, cada situação é avaliada individualmente para compreender de que forma a saúde oral pode estar a afetar a função, o conforto e a qualidade de vida do paciente.
Quando existe perda dentária ou dificuldade em mastigar, podem ser analisadas diferentes possibilidades de reabilitação, incluindo soluções com implantes dentários quando existe indicação clínica.
O objetivo é procurar recuperar não apenas a estética do sorriso, mas também uma função oral adequada às necessidades de cada pessoa.
A ligação entre saúde oral e alimentação vai muito além da aparência dos dentes.
Mastigar sem dor, conseguir triturar diferentes alimentos e manter dentes e gengivas saudáveis contribui para uma alimentação mais confortável e para uma maior liberdade nas escolhas que fazemos à mesa.
A ausência de dentes, a dor, os problemas gengivais ou próteses pouco estáveis não devem simplesmente ser aceites ou contornados alterando permanentemente a alimentação.
Neste Dia Mundial da Alimentação, vale a pena recordar que cuidar do sorriso é também cuidar da sua função. Porque comer bem começa, muitas vezes, por conseguir mastigar bem.